II SEMANA DO SALTÉRIO
14ª Semana do Tempo Comum
TERÇA-FEIRA
OFÍCIO DAS LEITURAS
V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
*
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Aleluia.
Esta
introdução se omite quando o Invitatório precede imediatamente ao Ofício das
Leituras.
Hino
I. Quando
se diz o Ofício das Leituras durante a noite ou de madrugada:
Despertados
no meio da noite,
meditando, em vigília e louvor,
entoemos com todas as forças
nosso canto vibrante ao Senhor,
para
que celebrando em conjunto
deste Rei glorioso os louvores,
mereçamos viver, com seus santos,
vida plena nos seus esplendores.
Esse
dom nos conceda a Trindade,
Pai e Filho e Amor, Sumo Bem,
cuja glória ressoa na terra
e no céu pelos séculos. Amém.
II. Quando
se diz o Ofício das Leituras durante o dia:
Deus
bondoso, inclinai o vosso ouvido,
por piedade, acolhei a nossa prece.
Escutai a oração dos vossos servos,
como Pai que dos seus filhos não se esquece.
Para
nós volvei, sereno, a vossa face,
pois a vós nos confiamos sem reserva;
conservai as nossas lâmpadas acesas,
afastai do coração todas as trevas.
Compassivo,
absolvei os nossos crimes,
libertai-nos, e as algemas nos quebrai;
os que jazem abatidos sobre a terra
com a vossa mão direita levantai.
Glória
a Deus, fonte e raiz de todo ser,
glória a vós, do Pai nascido, Sumo Bem,
sempre unidos pelo Amor do mesmo Espírito,
Deus que reina pelos séculos. Amém.
Salmodia
Ant. 1 Confia
ao Senhor o teu destino;
confia nele e com certeza ele agirá.
Salmo 36(37)
O destino dos maus e dos bons
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão
a terra (Mt 5,5).
I
–1 Não te irrites com as obras
dos malvados *
nem invejes as pessoas desonestas;
–2 eles murcham
tão depressa como a grama, *
como a erva verdejante secarão.
–3 Confia
no Senhor e faze o bem, *
e sobre a terra habitarás em segurança.
–4 Coloca no Senhor
tua alegria, *
e ele dará o que pedir teu coração.
–5 Deixa
aos cuidados do Senhor o teu destino; *
confia nele, e com certeza ele agirá.
–6 Fará brilhar tua
inocência como a luz, *
e o teu direito, como o sol do meio-dia.
–7 Repousa
no Senhor e espera nele! *
Não cobices a fortuna desonesta,
– nem invejes quem vai bem na sua vida *
mas oprime os pequeninos e os humildes.
–8 Acalma
a ira e depõe o teu furor! *
Não te irrites, pois seria um mal a mais!
–9 Porque serão exterminados
os perversos, *
e os que esperam no Senhor terão a terra.
–10 Mais
um pouco e já os ímpios não existem; *
se procuras seu lugar, não o acharás.
–11 Mas os mansos herdarão a nova
terra, *
e nela gozarão de imensa paz.
–
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
*
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Confia
ao Senhor o teu destino;
confia nele e com certeza ele agirá.
Ant. 2 Afasta-te do mal e
faze o bem,
pois a força do homem justo é o Senhor.
II
–12 O pecador arma ciladas
contra o justo *
e, ameaçando, range os dentes contra ele;
–13 mas o Senhor zomba
do ímpio e ri-se dele, *
porque sabe que o seu dia vai chegar.
–14 Os ímpios já retesam os
seus arcos *
e tiram sua espada da bainha,
– para abater os infelizes e os pequenos *
e matar os que estão no bom caminho;
–15 mas
sua espada há de ferir seus corações, *
e os seus arcos hão de ser despedaçados.
–16 Os poucos bens do
homem justo valem mais *
do que a fortuna fabulosa dos iníquos.
–17 Pois os braços
dos malvados vão quebrar-se, *
mas aos justos é o Senhor que os sustenta.
–18 O Senhor cuida da vida
dos honestos, *
e sua herança permanece eternamente.
–19 Não serão envergonhados
nos maus dias, *
mas nos tempos de penúria, saciados.
–20 Mas os ímpios com
certeza morrerão, *
perecerão os inimigos do Senhor;
– como as flores das campinas secarão, *
e sumirão como a fumaça pelos ares.
–21 O ímpio pede emprestado
e não devolve, *
mas o justo é generoso e dá esmola.
–22 Os
que Deus abençoar, terão a terra; *
os que amaldiçoar, se perderão.
–23 É o Senhor quem firma os
passos dos mortais *
e dirige o caminhar dos que lhe agradam;
–24 mesmo se caem,
não irão ficar prostrados, *
pois é o Senhor quem os sustenta pela mão.
=25 Já fui jovem e sou hoje
um ancião, †
mas nunca vi um homem justo abandonado, *
nem seus filhos mendigando o próprio pão.
–26 Pode sempre
emprestar e ter piedade; *
seus descendentes hão de ser abençoados.
–27 Afasta-te do mal e faze o
bem, *
e terás tua morada para sempre.
–28 Porque o
Senhor Deus ama a justiça, *
e jamais ele abandona os seus amigos.
– Os
malfeitores hão de ser exterminados, *
e a descendência dos malvados destruída;
–29 mas
os justos herdarão a nova terra *
e nela habitarão eternamente.
–
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
*
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Afasta-te
do mal e faze o bem,
pois a força do homem justo é o Senhor.
Ant. 3 Confia em Deus e
segue sempre seus caminhos!
III
–30 O justo tem nos lábios
o que é sábio, *
sua língua tem palavras de justiça;
–31 traz a Aliança do
seu Deus no coração, *
e seus passos não vacilam no caminho.
–32 O ímpio fica à espreita
do homem justo, *
estudando de que modo o matará;
–33 mas
o Senhor não o entrega em suas mãos, *
nem o condena quando vai a julgamento.
–34 Confia em Deus e
segue sempre seus caminhos; *
ele haverá de te exaltar e engrandecer;
– possuirás a nova terra por herança, *
e assistirás à perdição dos malfeitores.
–35 Eu vi o ímpio
levantar-se com soberba, *
elevar-se como um cedro exuberante;
–36 depois passei
por lá e já não era, *
procurei o seu lugar e não o achei.
–37 Observa bem o homem
justo e o honesto: *
quem ama a paz terá bendita descendência.
–38 Mas
os ímpios serão todos destruídos, *
e a sua descendência exterminada.
–39 A salvação dos piedosos
vem de Deus; *
ele os protege nos momentos de aflição.
=40 O Senhor lhes
dá ajuda e os liberta, †
defende-os e protege-os contra os ímpios, *
e os guarda porque nele confiaram.
–
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
*
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Confia em Deus e segue sempre
seus caminhos!
V. Dai-me bom senso, retidão,
sabedoria,
R. Pois tenho fé nos
vossos santos mandamentos.
Primeira leitura
Do
Segundo Livro de Samuel 18,6-17.24―19,5
Morte de Absalão e luto de Davi
Naqueles dias: 18,6 O
povo saiu a campo contra Israel, e a batalha travou-se na floresta de
Efraim. 7Ali o povo de
Israel foi derrotado pelo exército de Davi, e naquele dia houve uma grande
mortandade de vinte mil homens. 8O
combate estendeu-se por toda a região, e a floresta devorou mais homens dentre
o povo do que a espada devorou naquele dia.
9Absalão encontrou-se por acaso na
presença dos homens de Davi. Ia montado numa mula e esta meteu-se sob a
folhagem espessa de um grande carvalho. A cabeça de Absalão
ficou presa nos galhos da árvore, de modo que ele ficou suspenso entre o céu e
a terra, enquanto que a mula em que ia montado passou adiante. 10Alguém viu isto e informou Joab, dizendo: “Vi Absalão
suspenso num carvalho”.
11Joab respondeu ao homem que lhe deu a
notícia: “Se o viste, porque não o abateste no mesmo lugar? Eu te daria dez
ciclos de prata e um cinto”. 12O
homem respondeu: “Ainda que me pusessem nas mãos mil ciclos de prata, eu não
levantaria a mão contra o filho do rei. Pois nós ouvimos com nossos ouvidos que
o rei deu esta ordem a ti, a Abisai e a Etai: ‘Poupai, quem quer que sejais, o meu filho Absalão!’ 13E
se eu tivesse cometido esse atentado contra a vida do jovem, nada se ocultaria
ao rei, e tu mesmo te porias contra mim”. 14Joab
disse-lhe: “Não vou perder tempo contigo!” Tomou então três dardos e cravou-os
no peito de Absalão. E como ainda palpitasse com
vida, suspenso no carvalho, 15acorreram
dez jovens escudeiros de Joab e deram-lhe os últimos
golpes.
16Joab tocou então a trombeta e o
exército deixou de perseguir Israel, porque Joab
conteve o povo. 17TomaramAbsalão
e colocaram-no numa grande fossa, no interior da floresta, erguendo em seguida
sobre ele um enorme monte de pedras. Entretanto, todo o Israel fugira, cada um
para sua tenda. 24Davi
estava sentado entre duas portas da cidade. A sentinela que tinha subido ao
terraço da porta, sobre a muralha, levantou os olhos e divisou um homem que
vinha correndo, sozinho. 25Pôs-se
a gritar e avisou o rei, que disse: “Se ele vem só, traz alguma boa-nova”. À
medida que o homem se aproximava, 26a
sentinela viu então outro homem que corria e gritou para o porteiro: “Vejo um
outro homem que vem correndo sozinho”. O rei disse: “Também esse traz alguma
boa-nova”. 27A sentinela
acrescentou: “Pela maneira de correr, o primeiro só pode ser Aquimaás, filho de Sadoc”. “É um Homem de bem”, disse o
rei, “traz certamente boas notícias”.
28Aquimaás chegou e gritou para o rei:
“Paz!” E, prostrando-se com o rosto em terra, acrescentou: “Bendito seja o
Senhor, teu Deus, que te entregou os que se sublevaram contra o rei, meu
senhor!” 29O rei perguntou:
“Vai tudo bem para o jovem Absalão?” Aquimaás respondeu: “Vi um grande tumulto no momento em que
Joab enviou ao rei o teu servo, mas ignoro o que se
passou”. 30O rei disse-lhe:
“Passa e espera aqui”. Tendo ele passado e estando no seu lugar, 31apareceu o etíope e disse: “Trago-te,senhor meu rei, a boa-nova: O
Senhor te fez justiça contra todos os que se tinham revoltado contra ti”. 32O rei perguntou ao etíope: “Vai tudo bem
para o jovem Absalão?” E o etíope disse: “Tenham a
sorte deste jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantam
contra ti para te fazer mal!”
19,1 Então o rei estremeceu,
subiu para a sala que está acima da porta e caiu em pranto. Dizia entre
soluços: “Meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Por que não morri eu em teu lugar? Absalão, meu filho, meu filho!”
2Anunciaram a Joab
que o rei estava chorando e lamentando-se por causa do filho. 3Assim, a vitória converteu-se em luto,
naquele dia, para todo o povo, porque o povo soubera que o rei estava
acabrunhado de dor por causa de seu filho. 4Por
isso, as tropas entraram furtivamente na cidade, como um exército coberto de
vergonha, por ter fugido da batalha. 5O rei tinha velado o
rosto e continuava a gritar em alta voz: “Meu filho Absalão!
Absalão, meu filho, meu filho!”
Responsório Sl 54(55),13a.14a.15a;
cf. Sl 40(41),10b; 2Sm 19,1
R. Se o inimigo viesse
insultar-me, poderia aceitar certamente; * Mas és tu, companheiro e amigo
com quem tive agradável convívio, que ergueste teu pé
contra mim. V. O rei,
desolado, subiu ao quarto que está sobre a porta
e chorou repetindo e andando: Meu filho Absalão, ó meu filho! * Mas és tu.
Segunda leitura
Dos
Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo
(Ps.32,29:CCL38,272-273)
(Séc.V)
Aqueles que estão de fora, queiram ou não, são nossos irmãos
Irmãos, exortamos-vos instantemente à caridade, não apenas
entre vós, mas também em relação aos que estão de fora, quer sejam os ainda
pagãos e descrentes, quer se tenham separado de nós, e de modo que, professando
conosco a Cabeça, separaram-se do corpo. Sintamos pesar por eles, irmãos,
porque eles continuam sendo nossos irmãos. Quer queiram, quer não queiram, são
nossos irmãos. De fato, só deixariam de ser nossos irmãos se deixassem de
dizer: Pai nosso.
Assim o Profeta falou de alguns: Àqueles que vos dizem: Não
sois irmãos nossos, respondei: Sois nossos irmãos. Observai de quem se poderia
dizer isto, será que dos pagãos? Não, pois nem os chamamos de nossos irmãos
segundo as Escrituras e o modo de tratar da Igreja. Será que dos judeus que não
creram em Cristo?
Lede o Apóstolo e notai que quando fala de “irmãos” sem
mais, somente se refere aos cristãos: Tu, porém, por que julgas teu irmão, ou
tu, por que desprezas teu irmão? E em outro trecho: Vós cometeis a iniqüidade e
a fraude e isto fazeis contra irmãos.
Por conseguinte, aqueles que dizem: “Não sois nossos
irmãos”, estão nos chamando de pagãos. Por isso eles querem batizar-nos de
novo, declarando que não possuímos o que dão. Por conseguinte, seu erro
consiste em negar que somos seus irmãos. Mas então por que nos disse o Profeta:
Quanto a vós, respondei-lhes: Sois nossos irmãos; a não ser porque reconhecemos
neles aquele batismo que não repetimos? Não aceitando nosso batismo, eles negam
que somos seus irmãos. Nós, porém, não repetindo o deles, mas reconhecendo-o
como nosso, dizemos: Sois nossos irmãos.
Se eles disserem: “Por que nos procurais? Que quereis de
nós?” respondamos: Sois nossos irmãos. Mesmo que nos digam: “Podeis ir embora,
nada temos convosco!” Pelo contrário, nós temos muito convosco! Nós confessamos
um mesmo Cristo, e assim devemos estar em um só Corpo, sob uma só Cabeça.
Portanto, nós vos suplicamos, irmãos, por aquelas mesmas
entranhas da caridade, cujo leite nos alimenta, cujo pão nos fortalece, isto é,
por Cristo, nosso Senhor. Com efeito, é agora a ocasião de termos para com eles
grande caridade, muita misericórdia, rogando a Deus por eles, a fim de que lhes
conceda sobriedade de pensamento para caírem em si e enxergarem, porque nada
absolutamente têm a dizer contra a verdade. De fato, apenas lhes resta a
fraqueza da animosidade, tanto mais enferma quanto mais julga possuir maior
força. Assim, pela mansidão de Cristo, nós vos conjuramos suplicando em favor
dos fracos, dos sábios segundo a carne, dos puramente humanos e carnais, mas
ainda nossos irmãos, que frequentam os mesmos sacramentos, embora não conosco,
mas os mesmos. Eles respondem um só Amém, embora não conosco, mas o mesmo.
Portanto, derramai diante de Deus por eles o âmago de vossa caridade.
Responsório Ef 4,1.3.4
R. Exorto-vos, pois, no Senhor,
que vivais dignamente, irmãos, na vocação a que fostes
chamados: * Solícitos sede
em guardar a unidade que vem do Espírito, pelo laço
da paz que nos une. V. Há
um corpo somente e um Espírito, é uma somente
a esperança da vocação a que fostes chamados. * Solícitos.
Oração
Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o
mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das
alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do
Espírito Santo.
R. Amém.
Conclusão da Hora
V. Bendigamos
ao Senhor.
R. Graças a Deus.